Mértola, tanto ainda por descobrir

Mértola, tanto ainda por descobrir

Pensar em Mértola é reviver um rico e colorido historial que nos transporta à ocupação muçulmana e muito antes disso ao passado romano das Minas de São Domingos.

Nas minhas memórias, Mértola está ligada ao início ou fim de muitas aventuras, mas também recordo a vila como ponto de transição de viagens.

Há muitos anos, a viagem de carro para o Algarve passaria por Mértola sempre que atravessar a ponte de Alcácer do Sal se mostrava tão demorada que compensaria ir pela estrada da Barrosinha, Torrão e Beja, mesmo que isso adicionasse quase mais uma hora ao percurso.

É necessário dizer que, nessa altura, “ir para o Algarve” era para mim sinónimo de ir para a zona de Tavira, onde havia alguma ligação familiar.

Nesta viagem havia dois pontos de paragem que eu fazia acontecer sempre que o trajeto dependia de mim, parar na Estalagem da Barrosinha e no Café Guadiana.

Já que Estalagem da Barrosinha é um local tão interessante que merece um post à parte, posso dizer que o café Guadiana (1), onde comia umas bifanas e uns cachorros. O Café Guadiana não tinha nenhuma especialidade, mas era um mimo de tradições e que representava um marco na viagem na viagem de quatro horas, o “está quase”.

Hoje em dia o Café Guadiana está modernizado com total respeito às suas memórias e volta a ser um prazer aqui passar algum tempo e fazer parte dessa herança.

Já tive o prazer de ir incontáveis vezes a Mértola mas, ainda assim, tenho sempre a noção que pouco conheço da vila e fico sempre com a esperança que algum dia irei descobrir coisas fabulosas.

Por culpa minha seguramente, sempre que aqui fico com algum tempo para visitas, não encontro forma de visitar os monumentos e as escavações arqueológicas. Terei que dedicar um pouco mais de tempo a estudar a História da vila e tentar participar numa visita guiada para afastar esta sensação de ignorância sobre o local.

Sendo eu um apaixonado de História, a densa herança árabe desta vila faz fervilhar a minha imaginação sobre alturas da Reconquista.

É uma vila onde vale a pena parar e passear pelas suas ruelas estreitas e espreitar a paisagem ao redor do castelo.

Tal como tantas outras localidades alentejanas, a cor branca das suas casas dá-lhe um ar limpo e organizado, um prazer para os olhos. Talvez por isso, não resisti a fotografar Mértola sobre várias perspectivas ao redor da vila

Também aqui tenho memórias que me ligam diretamente ao rio Guadiana pelas atividades de canoagem que aqui fiz.

Navegando no Guadiana uns sete quilómetros para montante de Mértola chegamos a uma zona conhecida como Moinho dos Canais onde também podemos aceder de carro. Daqui podemos iniciamos a descida de canoa até Mértola.

Se queremos uma aventura mais longa então organizamos a nossa trouxa na parte de trás da canoa e rumamos no sentido da foz do Guadiana em Vila Real de Santo António. São dois dias de canoagem com uma história para contar.

Sem entrar na gastronomia que faz parte da vila como a sua própria existência, já são razões mais dos que suficientes para visitar Mértola, o que voltarei a fazer em breve.

Divirtam-se.

David Monteiro

(1) Gostava de apresentar aqui o link para o website do Café Guadiana mas não o consegui identificar.

Deixe uma resposta

%d bloggers like this: